sábado, 13 de dezembro de 2014

o que desconheço

eu queria escrever sobre o desconhecido. eu queria conhecer o que desconheço pra poder escrever sobre ele. eu desconheço o que é obscuro, mas conheço o lado escuro do obscuro, e é lá que meus pensamentos mais sombrios me confortam. eu conheço a dor que o desespero causa quando ele me invade com a maior calma do mundo, mas não sei o que é o desespero propriamente dito. eu queria saber o que é o tempo e o que existe do outro lado do espelho. existem tantos abismos, mas eu nunca vi um pessoalmente, só vi aqueles abismos que se formam quando duas pessoas que se gostam se perdem.. mas aquilo não é abismo de verdade, então eu nunca vi um abismo. eu desconheço a origem de alguns dos meus pensamentos, embora eles estejam dentro de mim. desconheço a certeza com que as pessoas falam "eu te amo". desconheço tudo que eu não vejo e sou chamada de limitada por causa disso. absolutamente não sei o que significa a resposta "vamos ver". na verdade nem sei se isso seria uma resposta pra qualquer tipo de pergunta que seja. eu queria conhecer mais sobre olhares e palavras não ditas, sobre o subentendido, as entrelinhas, o silêncio e o sumiço. queria de antemão conhecer o que é passageiro e relativo. queria saber o que aconteceu com as escolhas que eu não fiz, com os passos que não dei, com todo o amor que eu tinha, pra onde ele foi? pra onde vão os amores que não dão certo unilateralmente? quem fica vai pra onde? quem fala "preciso ir" vai pra onde? eu queria saber o que é ser outra pessoa além de mim mesma, já que vou sendo sem pensar em ser e acabo me tornando quem eu sou. eu queria conhecer o que desconheço pra poder escrever sobre ele.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

sobre os baixos

não tem como fugir dos baixos. os altos todo mundo quer, mas os baixos.. se pensássemos nos altos como estados solitários que não viessem acompanhados de nada em troca, eles seriam muito mais bem vindos do que já são! mas.. por trás dos altos se escondem os baixos.. e os baixos mais baixos que os baixos são consequência dos altos altíssimos.. não tem como escapar.
se quero fugir de tudo que me deixa pra baixo, preciso fugir também de tudo que me faz bem. são os altos que tornam as coisas difíceis, não os baixos, porque os baixos são logo evitados assim que percebidos, mas os altos.. não há limites para eles, nunca estamos satisfeitos, sempre dá pra ir mais alto..
e na descida a gente se perde.. as mãos não se tocam mais, os olhares divergem, as bocas transmitem o cansaço mental e físico. quando percebo, estou de novo no mesmo lugar onde não quero estar, lendo as mesmas palavras velhas escritas pra um eu que não sou eu, ouvindo as mesmas músicas, me lamentando por estar onde estou e tentando sentir novamente toda a angústia de quando estive aqui pela segunda vez. não há baixo sem alto. mudam os rostos, os cheiros, os sonhos, os planos.. mas o alto é sempre meu, é o meu alto que me leva sempre pra baixo.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

too much love

and too much love's not good for you
your heart can get too full
and too much love's an IOU
and if I give you that
you'll pay me back with the blues

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

como nos livros

é claro que ia dar errado! o romance tinha começado como começam os romances dos livros de romance: eu olhei pra você e me apaixonei à primeira vista e você nem sabia da minha existência.. alguns namoros depois, nos encontramos e, sabe-se lá se por solidão ou diversão, surgiu um interesse seu por mim. e no capítulo 4 do nosso livro, tudo começa a soar como um livro de romance de verdade. você falava muitas palavras que me interessavam e eu tinha ideias que pareciam ter sido tiradas de sua própria a cabeça, coisa de louco isso! e havia tanta música entre nós, tantos livros, tantas frases, tantas conversas e olhares.. às vezes me pergunto quem eu seria agora se não tivesse voltado aquela manhã ao som de James Morrison pra te encontrar no parque e ver o sol da manhã deitada em seu colo, abrindo páginas aleatórias de um livro de Drummond e discutindo o que aquelas frases nos faziam sentir, sem ter a minina idéia de estávamos sim sendo os personagens de um romance entitulado: hoje, amanhã e depois. às vezes não queria ter voltado aquele dia.. às vezes queria que aquele dia voltasse.. às vezes queria não ter feito parte dessa história, às vezes queria que nosso livro tivesse um milhão de páginas e, na maioria das vezes, agradeço por ter sido essa a história que me transformou em quem sou hoje. eu quis tanto, tanto ter um amor como nos livros! mas.. o que acontece com os personagens depois que o livro acaba? será que continuam suas vidas normalmente como se aquele livro fosse suas próprias vidas? será que suas vidas são congeladas no exato momento do desfecho? será que cada leitor inventa o final que quiser pra cada personagem? eu sou personagem ou leitora? fico confusa porque meu personagem teve um fim e eu, leitora, insisto em criar e recriar diferentes fins para aquele meu eu-personagem que viveu a história de amor que eu-leitora sonhava em viver! 

domingo, 19 de janeiro de 2014

o eu-você-espelho

por muito, muito tempo eu acreditei que a pessoa que eu enxergava quando olhava no espelho era você. nunca soube a verdadeira verdade. pode ser que tudo não se passava de uma invenção da minha mente, não da pra saber. é fácil confundir espelho com ilusão. e pode ser que você realmente estivesse ali do outro lado do espelho, se passando por mim. eu gostava daquela imagem que se parecia comigo e ao mesmo tempo era tão você! e eu fazia de tudo para não desapontar o espelho. até que um dia você me mostrou quem eu realmente era, sem usar espelhos. e eu me tornei outra pessoa, abandonada pelo você do espelho. e continuo sem saber quem foi que me ajudou, se eu mesma ou você-eu-espelho. talvez minha mente tenha inventado tudo isso. talvez fosse isso que o espelho quisesse me mostrar esse tempo todo: que não há você em mim, que não há você. mas sinto saudade daquele você do espelho e me pergunto sempre que vejo meu reflexo: quanto de você restou em mim?

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

E.R.

fuçou nas gavetas até encontrar a camisa azul marinho que havia comprado há dois meses atrás. era uma grande estréia. tinha novos sorrisos em vista, embora o coração ainda cultivasse um velho amor, como aqueles papéizinhos onde a gente escreve uma pseudo poesia numa noite de solidão e alcoolismo e que acabam perdidos no fundo de uma gaveta qualquer. 
se arrumou, escolheu um rock pra animar o caminho e seguiu. entrou no bar meio desconfiada, quase colocando no bolso a mão que não estava segurando a bebida pra disfarçar o nervosismo, não gostava de chegar sozinha nos lugares, mas aquele era um dia especial. e de repente um salto cardíaco anunciou a presença de alguém que nunca havia estado perto. e seus olhos não se desgrudaram mais. aquela voz era um tom mais grave do que havia imaginado, quase não combinando com aquele rosto de traços tão finos. e aqueles gestos, o caminhar, a respiração, tudo, tudo que não teria como ter imaginado a tocavam de um jeito que ela não queria mais se afastar daquele corpo tão quase seu. ouviu palavras de "pra sempre" pelo olhar.
dois goles depois, tudo se perdeu. o lugar passou a ter muitos cantos e cada um foi pro seu. passos rápidos de procura a levaram para cada vez mais longe. onde tinha ido parar aquele sorriso? nada mais fazia sentido. não havia conseguido manter aquelas palavras ditas momentos antes. os olhos ficaram cansados de tanto procurar. já estava começando a se esquecer daquela voz. nenhuma palavra. não sabia lidar com fins inesperados. quanto daquilo tudo era realidade? haviam de fato olhares e sorrisos? 
juntou a frustração, o medo da rejeição, a saudade que sabia que sentiria, a despedida não pronunciada, o vácuo entre aqueles pés e, quase que na velocidade da luz, terminou a noite com o coração partido no primeiro poste de um caminho sem volta. e todo o sofrimento medicado finalmente teve um fim. 

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

eu rabisco o sol que a chuva apagou


"quero que saibas que me lembro
queria até que pudesses me ver..
és parte ainda do que me faz forte
e, pra ser honesto, só um pouquinho infeliz.
mas tudo bem, tudo bem.."

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Giz - Legião Urbana