.. e de repente me vejo pedindo em reza coisas que pedi 20 anos atrás. E de repente percebo que continuo não encontrando em mim o que o que até agora não encontrei, nem com reza. Pra onde vão as pessoas que dizem "preciso ir"? Eu digo "preciso ir" e fico onde estou e corro pra dentro de mim. Olhar pra dentro é quase como rezar. Eu fico dividida entre tudo que eu quero e tudo que eu sei que não posso ter. E rezo. Aqui dentro de mim tem uma luz que não ilumina nada, mas serve pra mostrar quanta escuridão existe do lado de fora. É como gritar debaixo d'água, correr debaixo d'água, entende? E depois morrer afogada.
você sou eu mesma. eu sou você. tudo se confunde. é como um espelho, só que ao contrário.
sexta-feira, 10 de junho de 2016
domingo, 3 de janeiro de 2016
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
é tudo que..
é a inquietude que rompe o silêncio que eu não causei
é o som da voz que eu não ouço mais
são os braços que abraçam um corpo que não é meu
são meus braços que não abraçam o corpo que não é meu
é o silêncio que invade
é a falta de ar, de tempo, do que fazer
é muito tempo
é tudo que ainda continua aqui
e tudo que já se foi
é a falta do que dizer
é o tanto que há pra ser dito
é o que restou e o que falta
é a falta
é tudo que eu quero escrever e não escrevo
é tudo que me invade e esfria
é sua mentira
sua gargalhada
sua loucura
sua poesia obscura
é sua letra torta com frases tão claras
são todas as suas caras
é aquele amontoado de coisas velhas
e novas, que nunca tiveram a chance de ser nada
é toda essa espera desesperada
é o recomeço do recomeço do fim
é o fim
é o quanto de mim há em mim
e o quanto de ti há em mim
e o quanto de mim não há mais em ti
é o quanto de mim que sempre haverá em ti
é tudo que invade e continua aqui
é você
é você
em mim.
terça-feira, 29 de setembro de 2015
mentira
eu quis tanto você, mas acima de tudo, eu quis sua poesia. eu quis sua mente, seu corpo, suas palavras roucas, o toque da sua pele. eu quis o seu mistério, seu sorriso rasgado, seu quarto bagunçado, suas roupas no chão. eu quis aquele amor dos livros, a liberdade de escrever o que se sente, eu quis a incerteza, a embriaguez, a companhia em dias de chuva, quis seu colchão na sala, sua caligrafia torta, suas fotos atrás da porta, sua coleção de rimas, seus olhos. quis inclusive seus amores antigos, já meio que esquecidos, mas sempre grandiosos. eu quis o seu abraço, seu cansaço, seu cigarro, sua obsessão. quis sua alegria, sua sintonia, sua simplicidade, sua energia. eu quis tudo. quis viver com você, morrer sem você, te quis muito perto e muito longe também. eu quis prever o que aconteceria e, achando que estivesse prevendo alguma coisa, mal sabia que já estava vivendo o que estava prestes a prever. eu tive a ironia - não sua, do destino - de cruzar com você de novo e voltar a querer tudo que eu quisera. e então eu quis correr o risco de querer ainda mais o que eu já queria. eu quis inclusive a sua dúvida, seu medo, seu desespero, seu desapego disfarçado, seu avesso. e eu passei tanto tempo querendo todas essas coisas sem poder de fato tê-las, que hoje me olho sem elas e me reconheço em mim. e depois de tanto tempo sem essas coisas que nunca tive, olho pra trás e vejo que continuo querendo as mesmas coisas, exceto uma: não quero mais você.
sábado, 13 de dezembro de 2014
o que desconheço
eu queria escrever sobre o desconhecido. eu queria conhecer o que desconheço pra poder escrever sobre ele. eu desconheço o que é obscuro, mas conheço o lado escuro do obscuro, e é lá que meus pensamentos mais sombrios me confortam. eu conheço a dor que o desespero causa quando ele me invade com a maior calma do mundo, mas não sei o que é o desespero propriamente dito. eu queria saber o que é o tempo e o que existe do outro lado do espelho. existem tantos abismos, mas eu nunca vi um pessoalmente, só vi aqueles abismos que se formam quando duas pessoas que se gostam se perdem.. mas aquilo não é abismo de verdade, então eu nunca vi um abismo. eu desconheço a origem de alguns dos meus pensamentos, embora eles estejam dentro de mim. desconheço a certeza com que as pessoas falam "eu te amo". desconheço tudo que eu não vejo e sou chamada de limitada por causa disso. absolutamente não sei o que significa a resposta "vamos ver". na verdade nem sei se isso seria uma resposta pra qualquer tipo de pergunta que seja. eu queria conhecer mais sobre olhares e palavras não ditas, sobre o subentendido, as entrelinhas, o silêncio e o sumiço. queria de antemão conhecer o que é passageiro e relativo. queria saber o que aconteceu com as escolhas que eu não fiz, com os passos que não dei, com todo o amor que eu tinha, pra onde ele foi? pra onde vão os amores que não dão certo unilateralmente? quem fica vai pra onde? quem fala "preciso ir" vai pra onde? eu queria saber o que é ser outra pessoa além de mim mesma, já que vou sendo sem pensar em ser e acabo me tornando quem eu sou. eu queria conhecer o que desconheço pra poder escrever sobre ele.
quinta-feira, 10 de julho de 2014
sobre os baixos
não tem como fugir dos baixos. os altos todo mundo quer, mas os baixos.. se pensássemos nos altos como estados solitários que não viessem acompanhados de nada em troca, eles seriam muito mais bem vindos do que já são! mas.. por trás dos altos se escondem os baixos.. e os baixos mais baixos que os baixos são consequência dos altos altíssimos.. não tem como escapar.
se quero fugir de tudo que me deixa pra baixo, preciso fugir também de tudo que me faz bem. são os altos que tornam as coisas difíceis, não os baixos, porque os baixos são logo evitados assim que percebidos, mas os altos.. não há limites para eles, nunca estamos satisfeitos, sempre dá pra ir mais alto..
e na descida a gente se perde.. as mãos não se tocam mais, os olhares divergem, as bocas transmitem o cansaço mental e físico. quando percebo, estou de novo no mesmo lugar onde não quero estar, lendo as mesmas palavras velhas escritas pra um eu que não sou eu, ouvindo as mesmas músicas, me lamentando por estar onde estou e tentando sentir novamente toda a angústia de quando estive aqui pela segunda vez. não há baixo sem alto. mudam os rostos, os cheiros, os sonhos, os planos.. mas o alto é sempre meu, é o meu alto que me leva sempre pra baixo.
se quero fugir de tudo que me deixa pra baixo, preciso fugir também de tudo que me faz bem. são os altos que tornam as coisas difíceis, não os baixos, porque os baixos são logo evitados assim que percebidos, mas os altos.. não há limites para eles, nunca estamos satisfeitos, sempre dá pra ir mais alto..
e na descida a gente se perde.. as mãos não se tocam mais, os olhares divergem, as bocas transmitem o cansaço mental e físico. quando percebo, estou de novo no mesmo lugar onde não quero estar, lendo as mesmas palavras velhas escritas pra um eu que não sou eu, ouvindo as mesmas músicas, me lamentando por estar onde estou e tentando sentir novamente toda a angústia de quando estive aqui pela segunda vez. não há baixo sem alto. mudam os rostos, os cheiros, os sonhos, os planos.. mas o alto é sempre meu, é o meu alto que me leva sempre pra baixo.
quarta-feira, 9 de julho de 2014
too much love
and too much love's not good for you
your heart can get too full
and too much love's an IOU
and if I give you that
you'll pay me back with the blues
your heart can get too full
and too much love's an IOU
and if I give you that
you'll pay me back with the blues
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