domingo, 25 de novembro de 2012

medir o tempo com o tempo

de longe não sei contar o tempo
meus dias tem 16 horas, meus meses têm 1 ano cada.
não sei ao certo quantos 4 meses ainda vou precisar
pra apagar uma vida inteira.
daí vejo que não posso medir o tempo com o tempo
só saberei que um tempo suficiente terá passado
quando eu não mais hesitar com o seu nome
e conseguir dizer: estou pronta.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

melato[nina] e ca[fé]

café para me deixar bem acordada
para que eu não me esqueça que preciso esquecer você.
.
e assim que me lembro que preciso te esquecer,
lembro que lembrar de te esquecer só me faz lembrar mais ainda de você.
. e isso me faz querer esquecer que preciso te esquecer.
.
e para que eu me esqueça de você toda vez me lembro de lembrar que preciso te esquecer, tomo remédios para dormir.
.
e quando durmo me esqueço de esquecer você.
.
e quando acordo, lembro tudo de novo
e tomo café..
.
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sábado, 10 de novembro de 2012

mania de biografar


naquela biografia que escreveram sobre mim, aquela pessoa não sou eu!
por baixo de todas as palavras existem tantas outras palavras..
existem pés que correm pra despistar a saudade,
existem palavras que nunca foram escritas,
existem todos os meus escuros, meus vales, minhas mortes,
existe o meu espelho.
tantas coisas foram escritas sobre tantos dias,
que alguns dos mais importantes dias ficaram de fora,
como o dia em que me peguei indo sem pensar em não ir,
ou quando da mais alta montanha de amor próprio me tornei quem eu sou hoje
cheia de mim mesma, cheia de você, cheia de nós e de nós difíceis de serem desatados.
eu que queria ser aquela pessoa da biografia, tão certa, tão livre..

as segundas

eu prefiro as segundas. não as primeiras, as segundas mesmo. e os segundos.

as segundas-feiras
as segundas chances
os segundos beijos
as segundas intenções
os segundos de espera (e não os dias)
as segundas impressões




quarta-feira, 19 de setembro de 2012

quarta-feira, 25 de julho de 2012

querer pra trás

..e então você não soube saber o que fazer com as coisas que não sabia sobre mim. por dentro, uma pessoa virada ao avesso, isso que eu fui. por fora, tantas coisas reviradas que ficaram por dizer. escrevi pra você as cartas mais lindas que você já leu. mas você nunca leu. só eu li. escrevi em pensamentos. e todas as coisas não descobertas aos poucos se perdem no ar. eu quis você. eu quis querer. você me quis. e me quis não mais querer. e depois de um tempo eu descobri que o querer é o que nos move, nos liberta, mas não se pode querer pra trás. querer "aquilo que foi" é o mesmo que tentar interromper os planos do tempo, e ele não gosta nada disso! você interrompe a minha vontade. eu me saboto. o meu querer contrariado é a própria aflição em pessoa! e ele se vinga de mim porque não pode voltar atrás. o que antes me libertava agora me castiga. como é mesmo o nome daquilo que nos joga pra frente? não me lembro mais a palavra. desaprendi. 

sábado, 21 de julho de 2012

o tempo que o tempo tem

o tempo se perdeu no tempo e confundiu todos os meus dias.
trouxe cedo demais quem não devia,
quem é que entende o tempo?
ele brinca com a gente, faz o que bem entende,
leva e traz sentimentos, medos, saudades..
ele fica ali, quietinho, vendo o tempo passar
como quem observa o correr de um rio com o coração em paz,
mas por dentro é cheio de tramóias,
faz reviravoltas,
apressa as partidas e pára o coração.
esse tempo não tem jeito mesmo!
às vezes se finge de coitado,
outras vezes de senhor do tempo.
"o tempo cura tudo!"
cura nada.
o tempo esconde por detrás do tempo as coisas que os olhos se recusam a expor.
os sorrisos forçados,
os "tudo bem, e você?",
os passos pra frente sem olhar pra trás
escondem cicatrizes deixadas pelo que o tempo tirou.
e não há tempo que passe que traga de volta o tempo que passou.
e o novo tempo ensina que tempo é tudo a mesma coisa,
passando ou não, o tempo sempre passa.
e aquela linha da palma da mão que perdi quando você se foi,
nem o tempo poderá trazer de volta.