quinta-feira, 18 de julho de 2013

t a n t o t e m p o

faz tanto tempo
que tanto faz o tempo
o tempo é o tempo quem faz
o tempo que tanto faz
e de tantos tanto tempo
acabou o tempo de voltar atrás

terça-feira, 7 de maio de 2013

senti[menti]a

contrarie-me, teste meus limites, me exclua. ignore todas as minhas opiniões, me dê as costas e nenhum ouvido. diga que não presto, que não sou o que esperava. me peça pra esperar e desapareça, pise fundo nos meus calos e me deixe sozinha no fundo do poço. abuse da minha paciência e dos meus nervos, me faça explodir. e, no fim das contas, o que me define é tudo que você rejeita. porque eu sou exatamente a parte de você que você mais detesta.

domingo, 14 de abril de 2013

no bolso pedras no caminho

escutei passos surdos indo em direção  ao quarto vazio de quem não vai voltar, onde não entrava há 2 anos. quando parei na porta a vi ali parada e muda. nó na garganta. a luz que entrava pela janela lateral deixava seus olhos um tom mais claros. lágrimas. a minha vontade era segurar aquelas mãos. continuei parada. todas aquelas coisas espalhadas, um pouco mais organizadas do que haviam sido deixadas. pensei em puxá-la dali e trancar a porta. "pra quê entrar aí de novo?" cheguei a desejar o silencio, como sempre fiz.. sem me olhar, cruzou os braços e, com a voz engasgada, senti que ela precisava me dizer algo:

"não vai passar.. o tempo vem e vai e dá a impressão de que as dores e lembranças vão se apagando, só que não.. por mais que a gente tente, elas continuar ali, como uma pedra que a gente coloca no bolso e carrega pra todo lado.. daí a vida continua e, um dia, por descuido, você coloca a mão no bolso e pensa: "nossa, continua aqui, a pedra".. mas no fundo é bom saber que ela continua ali, pois ela é a única coisa que restou".

tranquei a porta e nos servi um café.

quarta-feira, 27 de março de 2013

o terceiro adeus primeiro meu

não dá pra viver com tantas coisas que ficaram por falar.. eu queria escrever sobre o medo do silêncio, sobre o medo. queria escrever sobre deixar pra trás as minhas mortes, meus vales. onde foram parar minhas alturas? e mesmo que quisesse andar sobre minhas falhas, não fui treinada pra isso. o que eu queria mesmo era escrever sobre o escuro e todas as horas desperdiçadas. se soubesse, escreveria sobre as tempestades que vêm das palavras mais quietas. e agora? não suporto mais todas essas coisas que deixei pra trás.. como faço pra viver sem elas?

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

antes do nome

meu sentimento vem antes de ter um nome: amor, saudade, desejo, tristeza.. quando coloco nome, me perco.. passo a pensar que sentir falta é amar e penso que dor faz parte do bem-querer.. o que é ruim fica pior depois de pensado.

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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

como nos livros

a culpa foi desse "amor como nos livros", que me deu uma amor como nos livros, só que ao contrário.

domingo, 25 de novembro de 2012

medir o tempo com o tempo

de longe não sei contar o tempo
meus dias tem 16 horas, meus meses têm 1 ano cada.
não sei ao certo quantos 4 meses ainda vou precisar
pra apagar uma vida inteira.
daí vejo que não posso medir o tempo com o tempo
só saberei que um tempo suficiente terá passado
quando eu não mais hesitar com o seu nome
e conseguir dizer: estou pronta.